Atendimento remoto em todo o Brasil e também para empresas em Portugal. Como funciona

Quando o e-mail de uma empresa começa a cair no spam do cliente, o primeiro instinto costuma ser trocar de provedor. Quase sempre é a solução errada: na esmagadora maioria dos casos o problema não está em quem hospeda o e-mail, e sim em três registros de DNS que dizem ao mundo quem tem permissão de enviar mensagens em nome do seu domínio.

Esses registros são o SPF, o DKIM e o DMARC. Este artigo explica o que cada um faz, por que eles quebram e em que ordem corrigir sem interromper o envio.

O problema em uma frase

Qualquer pessoa no mundo pode escrever um e-mail dizendo ser financeiro@suaempresa.com.br. Nada no protocolo de e-mail impede isso. O que existe são mecanismos que permitem ao servidor de destino verificar se aquele remetente é legítimo. E é justamente a ausência dessa verificação que faz sua mensagem legítima ser tratada como suspeita.

SPF: quem pode enviar

O SPF é um registro TXT no seu DNS que lista os servidores autorizados a enviar e-mail em nome do domínio. Quando a mensagem chega ao destino, o servidor consulta essa lista e compara com o IP de origem.

Os erros mais comuns:

  • Mais de um registro SPF. É o erro que mais aparece e o mais fatal: dois registros invalidam a verificação por completo. Cada serviço novo deve ser somado ao registro existente, nunca criar outro.
  • Sistemas esquecidos. ERP que manda nota fiscal, formulário do site, plataforma de disparo, sistema de cobrança. Se ele envia usando o seu domínio e não está no SPF, cai no spam.
  • Limite de dez consultas. O SPF permite no máximo dez consultas de DNS ao ser avaliado. Empresas que acumulam integrações estouram esse limite e o registro passa a falhar silenciosamente.
  • Terminação frouxa. Terminar o registro com ?all ou +all anula o propósito: significa "aceite de qualquer um".

DKIM: a assinatura da mensagem

O DKIM adiciona uma assinatura criptográfica ao cabeçalho de cada mensagem enviada. O destinatário usa uma chave pública publicada no seu DNS para conferir duas coisas: que a mensagem saiu mesmo do seu domínio e que ninguém alterou o conteúdo no caminho.

No Microsoft 365, o DKIM não vem ativo por padrão para domínios próprios: é preciso publicar dois registros CNAME e habilitar a assinatura no painel. É extremamente comum encontrar empresas migradas há anos com o DKIM nunca ativado.

DMARC: o que fazer quando falha

O DMARC amarra os dois anteriores. Ele instrui o servidor de destino sobre o que fazer quando SPF e DKIM não conferem e, igualmente importante, pede relatórios sobre quem está enviando mensagens usando o seu domínio.

A política tem três níveis:

PolíticaO que fazQuando usar
p=noneNão bloqueia nada, só reportaFase de diagnóstico, primeiras semanas
p=quarantineManda o que falha para o spamDepois de mapear todos os remetentes legítimos
p=rejectRejeita a mensagem na entradaAmbiente estável, todos os sistemas autenticados

Publicar p=reject logo de cara é receita para desastre: qualquer sistema legítimo que você esqueceu de autenticar simplesmente para de entregar, e ninguém recebe aviso.

A ordem correta da correção

  1. Inventariar quem envia. Liste todo sistema que manda e-mail com o seu domínio: servidor de e-mail, ERP, site, CRM, plataforma de marketing, sistema de nota fiscal.
  2. Consolidar um único SPF. Um registro só, com todos os remetentes legítimos, terminando em ~all e dentro do limite de dez consultas.
  3. Ativar o DKIM. No provedor principal e em cada plataforma de envio que ofereça assinatura própria.
  4. Publicar DMARC em p=none com endereço de relatório. Duas a quatro semanas de observação.
  5. Ler os relatórios. Eles mostram remetentes que você não conhecia, inclusive tentativas de falsificação.
  6. Endurecer aos poucos. Passe para quarantine e, quando não houver mais falha legítima, para reject.

O que fazer se a reputação já está ruim

Se o domínio já ficou meses enviando sem autenticação, corrigir o DNS é necessário, mas não instantâneo. Além dos registros, vale:

  • Limpar a base de contatos: endereços inválidos e reclamações de spam derrubam a reputação rapidamente.
  • Separar o envio transacional do promocional, idealmente em subdomínios diferentes.
  • Retomar o volume gradualmente em vez de disparar tudo de uma vez.
  • Verificar se o domínio ou o IP entrou em alguma lista pública de bloqueio e solicitar a remoção após a correção.

Resumo

E-mail caindo no spam raramente é problema de provedor. É quase sempre SPF duplicado ou incompleto, DKIM nunca ativado e DMARC inexistente, uma combinação que faz qualquer filtro moderno tratar a sua mensagem legítima como possível fraude. A correção é objetiva, mas precisa ser feita na ordem e acompanhada por relatórios.

Se preferir não mexer em DNS de produção sozinho, o suporte de Exchange Online da Tenant Flow faz a auditoria, corrige a autenticação e monitora os relatórios DMARC até a entrega estabilizar.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Preciso dos três registros ou só do SPF?

Os três. O SPF diz quais servidores podem enviar em nome do seu domínio, o DKIM assina a mensagem para provar que ela não foi alterada e o DMARC define o que fazer quando um dos dois falha. Provedores grandes já tratam domínios sem DMARC com desconfiança, e vários exigem os três para remetentes que enviam volume.

Posso ter dois registros SPF no domínio?

Não. Um domínio deve ter exatamente um registro SPF; dois registros invalidam a verificação inteira. Quando há vários serviços que enviam e-mail, todos precisam ser combinados em um único registro, respeitando o limite de dez consultas de DNS.

Quanto tempo demora para o e-mail parar de cair no spam?

A correção de DNS propaga em minutos ou poucas horas, mas a reputação do domínio se recupera em dias ou semanas, dependendo de quanto tempo o problema durou. Por isso a política do DMARC deve ser endurecida por etapas, monitorando os relatórios antes de bloquear.

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